domingo, 27 de junho de 2010

PARATY E A FLIP

Devo estar em Paraty, cidade entre Angra dos Reis e Ubatuba, quase à margem da estrada Rio-Santos. São quase quatro horas do Rio de Janeiro para cá. É inverno por aqui. Nada que um agasalho ou um blazer não resolva. Paraty é cidade histórica, com preservação de algumas áreas e prédios. Tem praia, bares, restaurantes e pousadas de todos os tipos. Vive do turismo, férias e pacotes de viagens, especialmente neste início de julho, quando tudo triplica de preço. Vim, curioso que sou, ver a Festa Literária Internacional de Paraty, a FLIP. Há dúvidas sobre a essência literária dessa festa. Vim para conferir. Neste ano, por exemplo, discute-se a obra do poeta pernambucano Manuel Bandeira, ao mesmo tempo em que, imaginem só, são apresentados cantores (os eternos Francis Hime e Olívia Hime), filmes e até histórias em quadrinhos (HQs). Parte-se daí para agitar o relacionamento amoroso, nas visões do cineasta Domingos de Oliveira, diretor de “Separações” e do escritor Rodrigo Lacerda. Claro que existem atrações internacionais. A primeira atração é o neodarwinista, Richard Dawkins. Depois, Chico Buarque e Milton Hatoun, conversando sobre o que as suas obras ajudam na formação do país. A música é objeto de bate-papo com Alex Ross, da revista New Yorker. A família cai na dança e é debatida por Anne Enright e James Salter. Gay Talese, autor, entre outros, de “Fama e Anonimato”, conversa sobre o novo jornalismo, de que é profundo conhecedor, com Mário Sérgio Conti, TV-Senac. O mexicano Mário Bellatin e o brasileiro Cristóvão Tezza procuram explicar suas experiências pessoais como literatos. E, para não cansar vocês, Catherine Millet, aquela que escreveu, quando jovem, a “Vida Sexual de Catherine M”, fala sobre o que viveu. Ao final, Zuenir Ventura e Edson Nery da Fonseca, encerram o tema Manuel Bandeira, a quem conheceram em vida. Como se vê, é realmente uma festa, em que há muita badalação e até um pouco de literatura. É, sem dúvida, um encontro midiático que atrai nomes internacionais, cujos cachês não estão nas alturas. Para alegria dos que gostam de Chico Buarque, ele é figura de proa nesta festa. É a “gota d’água”.

João Soares Neto,

FORTALEZENSE FAZENDO HISTÓRIA

Uma academia de letras tem vida. Acontece, cria, edita, reúne, sofre e motiva seus membros a materializar pensamentos em forma de livros de poemas, ensaios, discursos, crônicas, contos, romances etc. Este tem sido o dia-a-dia da Academia Fortalezense de Letras. Começou com Cid Saboya de Carvalho, figura ímpar do magistério, advocacia, política, jornalismo e literatura. Sua gestão contava com a experiência de Matusahila Santiago, advogada, funcionária pública e dirigente da Casa de Juvenal Galeno e o ímpeto de José Luís Lira, então jovem advogado, que passou a escrever biografias de poetas, escritores renomados e santos, transformando-se em hagiologista, professor e hoje está na UVA –Universidade Estadual do Vale do Acaraú. Depois, veio Cybele Valente Pontes com leveza, talento e tirocínio de gestão na Sociedade Amigas do Livro e na Coordenação do Prêmio Osmundo Pontes que realiza, anualmente, em parceria com a Academia Cearense de Letras. Cybele, com o suporte de Beatriz Alcântara e Regina Fiúza e a colaboração de alguns, instituiu e publicou a revista Panorama e a bi-anual Acta Literária. Além disso, reformou os estatutos e o regimento interno da entidade. Em seguida, veio a argúcia, cavalheirismo e inteligência de Ednilo Gomes de Soárez a dar nova forma ao Boletim mensal, incluindo fotos em cores dos acontecimentos e publicando mais um número da revista Panorama e outro da Acta Literária. Essa administração, encerrada em setembro do ano passado, agora, nesta semana, por sugestão nossa, entregou aos anais da Fortalezense de Letras, o livro pontuando as suas realizações e o fez de forma descontraída. O Livro foi apresentado por Regina Fiúza, na Faculdade 7 de Setembro, da qual Ednilo é o Diretor Acadêmico. Além de acadêmicos da Fortalezense e da Cearense, honrou-nos com sua presença o escritor cearense, radicado em São Paulo, Caio Porfírio Carneiro, Secretário Executivo da Associação Brasileira de Escritores. Alegravam-nos o comparecimento de jovens integrantes das “academias de estudantes” dos colégios Dáulia Bringel, Maria Ester e 7 de Setembro. Nessa reunião da Fortalezense apresentei voto de louvor à nossa consócia Gisela Nunes da Costa pelo título de Doutor Honoris Causa que lhe foi outorgado pela UVA. A noite foi arematada com a singularidade de uma exposição de artes plásticas em que autores mesclavam instalações e quadros-esculturas utilizando acrílico, aço sem pintura e barro.

João Soares Neto

A CÂMARA E A ACADEMIA

A História sempre nos ensina. Ela nos diz, por exemplo, que as Câmaras de Vereadores no Brasil são mais antigas que o Congresso Nacional e as Assembléias Legislativas. No Brasil, elas vieram com as Capitanias Hereditárias. A primeira Câmara instalada foi em SP, em São Vicente, que havia sido elevada à categoria de vila pelo donatário Martim Afonso de Souza. Essa 1ª. Câmara ficou conhecida como a “Câmara Vicentina”. Em todo o período colonial as câmaras municipais possuíam número considerável de atribuições. Eram elas que regiam as cobranças de tributos, definiam o exercício profissional, indicavam as atividades do comércio e ofícios, zelavam pelo patrimônio público e até administravam as prisões. Em suma, tinham funções executivas, legislativas e judiciárias. Após a Independência, veio a Constituição de 1824, quando o império centralizou a maior parte da administração pública e fixou em quatro anos a duração da legislatura. O vereador mais votado exercia a presidência da Câmara. Em 1889, com o advento da República, os vereadores passaram a ter exclusivamente papel legislativo e de fiscalização. Agora,com a Constituição de 1988, os papéis dos vereadores são os de legislar, fiscalizar, representar e sugerir/requerer. É exato nesse papel da sugestão que o Vereador Paulo Facó apresentou requerimento à Câmara Municipal de Fortaleza sugerindo a realização de uma sessão especial para homenagear a Academia Fortalezense de Letras. A Casa aprovou, unanimemente, o requerimento e ontem aconteceu a solenidade. Essa sessão, ontem realizada, se fez, acredito, como reconhecimento ao trabalho cultural de cada acadêmico da Fortalezense, bem como o esforço das gestões de Cid Carvalho, Cybele Pontes e Ednilo Soárez que deram uma feição contemporânea à nossa Academia Fortalezense de Letras. Ela é simples, mas diligente, atuante, diferenciada ao incentivar academias de estudantes. De forma inovadora desempenha o seu papel de regente, com empenho, de nomes qualificados. Agora, por exemplo, criou um blog, ao qual todos poderão acessar e incluir seus poemas, contos, ensaios e romances. Possui, em seus quadros, expoentes da cultura de Fortaleza. O seu presidente de honra é o Príncipe dos poetas cearenses, Artur Eduardo Benevides. Figuras políticas como os ex-vereadores Barros Pinho, Juarez Leitão e Ubiratan Aguiar. Barros Pinho também foi Deputado Estadual e Prefeito de Fortaleza e acaba de ganhar o Prêmio Osmundo Pontes de Literatura. Juarez Leitão, por sua atuação como mestre de história, produção poética e biográfica, é admirado por todos. Ubiratan Aguiar é Ministro do Tribunal de Contas da União, sendo, com muito zelo, o seu atual presidente. Na área pública, conta com o brilhante ex-senador da República, Cid Carvalho; o Deputado Estadual, Teodoro Soares; o Reitor da Universidade do Vale do Acaraú, Colaço Martins; e a ex-presidente do TRE, Gisela Nunes da Costa, que vem de ser agraciada com o título de Doutor Honoris Causa pela UVA. Destacam-se ainda sócios que dirigem outras entidades: o presidente do Instituto do Ceará, José Augusto Bezerra; Matusahila Santiago, da veneranda Casa de Juvenal Galeno. Maurício Benevides, presidente da Academia Cearense de Retórica; José Teles, presidente do capítulo cearense da Academia de Letras e Artes do Nordeste; Cybele Pontes, presidente da Sociedade Amigas do Livro; e Francisco Lima Freitas, presidente da Academia de Letras Municipais do Ceará. Os demais colegas são jornalistas, historiadores, bibliófilos, poetas, contistas, cronistas, romancistas e ensaístas. Esses acadêmicos, mercê de seus méritos, têm produção literária significativa nestes primeiros anos do Século XXI. A Fortalezense sugeriu ao presidente da Câmara, Vereador Salmito Filho, através do Vereador Paulo Facó, a elaboração, em 2010, de um “Cadastro Geral de Artes e Cultura de Fortaleza”, no qual todos os participantes dos mais diferentes segmentos das expressões artísticas, culturais e literárias da cidade, independente de credo, sexo, raça, ou de serem filiados a academias ou quaisquer entidades, em rigorosa ordem alfabética, possam ter seus nomes, breves currículos e produções impressos e registrados para divulgação, consulta e fins históricos. Por fim, louve-se a atenção do Vereador engenheiro Paulo Facó, que tem se caracterizado em conferir evidência especial à Cultura fortalezense.

João Soares Neto,
escritor

SOBRE LIVROS E LEITURA

Participei, nesta semana do livro, de debate na TV Fortaleza. Agradeci a Arnaldo Santos, coordenador, pelo oportuno convite. Falei a Auto Filho, Secretário da Cultura do Ceará, da alegria pela participação efetiva e bem recebida da Academia Fortalezense de Letras na 9ª. Bienal Internacional do Livro. Arnaldo criticou a ausência de políticos na Bienal. Ao meu lado esquerdo, estava a jornalista Adísia Sá, mestra e escritora. Ela é mulher casada com o livro de papel. Argumentei que o livro foi e é o caminho usado por nós, os debatedores, para aprender, procurar entender os fatos do mundo, aguçar o pensamento e transformá-lo em conhecimento, depois de depurado.Lamentei que só 7,0% da população brasileira adquire livros não didáticos. Constatei, por pesquisa do Ibope, que crianças entre 4 a 11 anos passam 5 horas por dia defronte a um aparelho de televisão. Segundo o mesmo IBOPE, 60 milhões de pessoas (adultos e crianças) passam igual número de horas diárias frente às tvs vendo novelas, programas policiais, fofocas, esportes, notícias plantadas e apresentadores apelativos. Relatei, com base em pesquisa nacional de 2009, feita pela Ipsos Public Affair, que mesmo as pessoas que dizem ter algum tipo de atividade cultural, - seja ir ao cinema, teatro, ler, comparecer a shows, dançar em festas e ver exposições de arte - apontam uma baixíssima média anual. Leem 5,1 livros, assistem a 4,1 filmes, vão a 3,8 shows, participam de 3,5 eventos de dança e só vêem 2,1 exposições de arte. Por ano, lembrem. Argumentei, citando o crítico literário José Paulo Paes que lutava, entre outras coisas, pela facilitação da leitura e escreveu o ensaio “Por uma literatura de entretenimento (ou: o mordomo não é o único culpado)”, no livro “A aventura literária”. Segundo Paes, os escritores brasileiros precisariam ser menos canônicos e não apelar tanto para o regionalismo. Ler deve ser um prazer para quem está iniciando e não punição ou tortura. Ainda, segundo Paes, muitos escritores manteriam discussões lingüísticas e acadêmicas e se descuidariam do público leitor. Viveriam em atritos, igrejinhas e se bastariam em suas questões recíprocas. Todos sabem que é preciso ter gosto de leitura apurado para ler, por exemplo, Machado de Assis, Guimarães Rosa e Clarice Lispector. Mas, nada impede que se comece com escritores de linguagem mais simples. Acreditava ele haver preconceito contra a crônica, o romance policial, a ficção científica e o sobrenatural. Constatamos que todos devem procurar gostar de ler, desde cedo. Um bom leitor não tem solidão. Ele tem o livro como companhia, sempre. Sabemos que o mercado editorial já descobriu que livros de leitura mais acessível são fáceis de vender. Mas, é um absurdo que o livro “A Cabana” esteja há meses na lista dos mais vendidos no Brasil. Auto Filho afirmou que o brasileiro passou do estágio da oralidade para a cultura do áudio-visual. sem parar no livro. Isto é, passou das histórias de Trancoso, assombrações ou de ninar para as novelas. Adísia Sá reclamou que não se lê e referiu que até professores universitários, inclusive doutores, quase nada leem. Pareceu claro para nós que alunos da 4ª. série do ensino fundamental não conseguem desenvolver competências básicas de leitura. Informei que o Brasil tem apenas 2.500 livrarias, quando, segundo especialistas, seriam necessárias 10.000. Disse ainda que 89% dos municípios brasileiros não têm uma única livraria. As pequenas livrarias estão definhando com o surgimento de mega-stores que focam na auto-ajuda e em livros ditos profissionais. Entretanto, paradoxalmente, o Brasil é o oitavo maior produtor de livros do mundo, com 2.000 editoras, mais de 12.000 títulos e 300 milhões de exemplares por ano. Desse total, 93% são livros didáticos, a maioria pagos pelos governos e, somente 7.0% são de outros gêneros. Por outro lado, é preciso saber que a leitura digital já vai atingir neste 2010 o total de 10% do mercado de livros nos Estados Unidos. Certamente, haverá um impacto nos livros didáticos, com a possibilidade de consulta de mapas e fazer pesquisas em salas de aulas equipadas com computadores ligados à internet. A distinção entre livro físico e livro digital já deve ser considerada. Estes serão, inicialmente, para um público específico, mas os e-books vieram para ficar. O Kindle, o Sony-reader e o I-pad podem ser popularizados e transportados para os computadores de bibliotecas públicas e escolas. Ler é viver.

João Soares Neto,
escritor

HOJE, NA BIENAL

Este artigo é um convite especial para você, leitor(a). Hoje, domingo, às 11 horas, no Espaço “Não Me deixes”, no Hall Central do Centro de Convenções, a Academia Fortalezense de Letras realiza sua segunda sessão em bienais do livro. Vá, esperamos por você. Será uma forma simples, leve, audaciosa e manifesta de aproximar uma nova academia do público que se pretende ver em eventos literários. Sabemos que tradições devem ser respeitadas, mas urge oxigenar a cultura, dando ênfase na comunicação entre os que escrevem e os que lêem, ainda que não sejamos sábios ou expoentes no que fazemos. Livro sem leitor é cadeado sem chave. Nessa reunião, o professor de literatura brasileira, Carlos Augusto Viana, falará sobre a obra literária de Rachel de Queiroz, enquanto o escritor José Luís Lira dirá de sua amizade - na varanda sertaneja - com a já então madura autora de “O Quinze”. Teremos a presença benfazeja de jovens integrantes de academias estudantis, que apoiamos. Tudo girará em torno da comemoração do centenário de nascimento de Rachel, patrimônio imaterial de todo o Estado do Ceará e, especialmente, da fortalezense cidade, onde nasceu e mantinha pouso. Se puder, dê um pulo lá, vale a pena, acredite. Vocês estão convidados a comparecer, não só a essa sessão, mas a todos os eventos da 9ª. Bienal Internacional do Livro do Ceará, aberta na sexta e que vai até o dia 18 próximo. Uma Bienal é uma festa múltipla, mas o seu objetivo central é o livro, esse pequeno objeto que nos faz distintos pelo saber. Vivemos, neste começo da segunda década do século XXI, a chegada de meios eletrônicos de leitura como o “Kindle” e o “IPad” que, ao contrário do que alguns pensam, não substituirão o livro, tampouco o escritor, o editor e nem arruinarão gráficas competentes. Serão apenas meios e estratégias a facilitar a leitura de livros na forma digitalizada. Ler, seja como for, ajuda a pensar, ficar mais centrado e infenso ao que não nos atrai ou incomoda. Abrir um livro, começar a lê-lo é um ato simples, despretensioso, mas pode enriquecê-lo. “O que estais lendo?”, perguntou Polônio a Hamlet. E você?

João Soares Neto,
da Academia Fortalezense de Letras

ANO DE TODOS. ANO DA RACHEL

A Academia Fortalezense de Letras tem participado, presencialmente, de todos os eventos até aqui realizados em comemoração ao centenário de nascimento da escritora cearense Rachel de Queiroz. Estivemos no “O Povo”, quando do lançamento de campanha alusiva à ex-cronista daquele jornal. Posteriormente, a Fortalezense reuniu, em sessão festiva, no dia 11 de abril, seus membros e convidados no Espaço “Não me Deixes” da 9ª. Bienal Internacional do Livro do Ceará, no Centro de Convenções. A AFL, pela segunda vez consecutiva, 2008-2010, logrou esse intento. Reuniu, em público, os seus acadêmicos em uma bienal para jograis, discussões e, certamente, homenagear Rachel. De 23 a este 30 de abril, a Fortalezense e a Secult estão realizando a 2ª. Exposição (a primeira foi ano passado) “Viajando nos Livros”, no Benficarte, no Shopping Benfica, em que Rachel é homenageada. Hoje é o último dia. Ainda nesta semana, no dia 27, a AFL participou da mesa diretora da sessão solene em homenagem a Rachel de Queiroz, no plenário 13 de Maio da Assembléia Legislativa do Estado do Ceará. A sessão foi presidida pela deputada Rachel Marques, autora do requerimento. Na abertura, disse ela que se considerava, tal qual a homenageada, uma fortalezense que adotou Quixadá. Nessa tarde festiva era maior o número e o brilho de quixadaenses que os nativos de Fortaleza. Eles vieram preparados. Encenaram uma breve peça em que Rachel aparece menina, adolescente, mulher jovem e senhora madura. Houve cantador de viola e cordelista com louvações versejadas. As professoras Lourdinha Leite Barbosa e Cleudene de Oliveira Aragão apresentaram uma coletânea, enfeixada em livro, por elas organizado, “100 anos de Rachel de Queiroz, Vida e Obra” e editado pelo Inesp, dirigido pelo prof. Antônio Nóbrega Filho. O reitor da Universidade Estadual do Ceará, Francisco de Assis Moura Araripe, registrou a ideia de se criar o Instituto Rachel de Queiroz. A festa foi longa e os deputados Artur Bruno, Teodoro Soares (membro da AFL) e Júlio César disseram da alegria de ver tantos jovens estudantes e amantes das letras naquele recinto. A sobrinha Maria Inês Queiroz Chaves agradeceu em nome da família de Rachel. De nossa parte, cobramos, descontraidamente, a parte que cabe a Fortaleza na sua vida. Afinal, ela nasceu ali pertinho do Passeio Público e estudou no Colégio da Imaculada Conceição. Só depois, muito depois, Rachel foi para o Rio, onde teve mais de uma morada e lá se finou em 4 de novembro de 2003. Mas, Rachel sempre vinha ao Ceará e, antes de pegar a estrada para Quixadá, fazia pouso em Fortaleza para se reabastecer das estórias da cidade e trocar dois dedos de prosa com parentes e amigos. É por isso que dizemos, Rachel é de todos e, especialmente, da literatura modernista brasileira.

João Soares Neto,
escritor

REGIMENTO INTERNO

ACADEMIA FORTALEZENSE DE LETRAS
REGIMENTO INTERNO


Art. 1º - O Regimento Interno da Academia Fortalezense de Letras tem por objetivo oferecer subsídios para o fiel cumprimento do seu Estatuto, estabelecer diretrizes para o bom desempenho dos trabalhos da Casa e dar outras providências.

DAS REUNIÕES
Art. 2º - As atas das reuniões, Assembleias ou sessões solenes, lavradas pelo 1º secretário e assinadas por este, juntamente com o secretário geral e o presidente, serão, ao final de cada gestão, encadernadas e arquivadas.

Art. 3º - O comparecimento dos acadêmicos e visitantes será registrado em livro de presença específico.

Art. 4º - O exercício social terá início no mês de fevereiro, com Assembleia Geral ordinária destinada à prestação de contas da diretoria, com o parecer do conselho fiscal, e será encerrado no mês de dezembro com uma reunião festiva de confraternização.

§ 1º - No mês de janeiro a Academia, em recesso, não promoverá reuniões formais.

§ 2º - A diretoria reunir-se-á no início de cada ano com o conselho fiscal para prestação de contas do ano anterior, as quais serão submetidas à aprovação da Assembléia na primeira reunião do ano, a realizar-se no mês de fevereiro.

Art. 5º - Haverá uma reunião ordinária por mês, sempre na terceira quarta feira, podendo também o presidente da Academia convocar reuniões extraordinárias quando houver necessidade.

§ 1º - Para as reuniões extraordinárias poderão ser convocados todos os acadêmicos ou apenas os membros da diretoria.

§ 2º - Durante as reuniões da Academia, a palavra será dada pelo presidente a um acadêmico por vez, sendo permitida a solicitação de apartes.

§ 3º - Haverá em cada reunião ordinária um momento destinado à leitura de textos em prosa ou verso e para comentários gerais sobre assuntos ligados à literatura.

§ 4º - O colar acadêmico será obrigatório nas reuniões solenes da Academia, podendo seu uso ser solicitado também pela diretoria em outras ocasiões consideradas especialmente importantes.

DAS ELEIÇÕES DA ADMINISTRAÇÃO
Art. 6º - A cada biênio, a Academia reunir-se-á em Assembleia Geral especialmente convocada para renovação da diretoria e do conselho fiscal, mediante eleição. A diretoria em exercício conduzirá o processo eleitoral, abrindo as inscrições para chapas durante o mês de agosto. A eleição ocorrerá no mês de setembro e os membros eleitos para diretoria e conselho fiscal tomarão posse em reunião festiva no mês de outubro.

§ 1º - As chapas concorrentes deverão ser apresentadas, completas, em dia, local e horário estabelecidos pela diretoria em exercício.

§ 2º - Os acadêmicos titulares candidatos necessariamente terão que estar quites com suas obrigações financeiras com a instituição até o momento de registro da chapa a que pertencer.

§ 3º - Só poderá concorrer à presidência o membro titular com mais de 3 (três) anos de posse como acadêmico.

§ 4º - Poderão exercer o direito de voto todos os acadêmicos titulares quites com suas obrigações financeiras com a instituição até a data da eleição.

§ 5º - Caberá ao presidente de honra em exercício dar posse aos membros da nova administração.

DAS ELEIÇÕES DE NOVOS MEMBROS
Art. 7º - Para ingresso de novos membros, a diretoria da AFL tornará pública a abertura do processo seletivo para o preenchimento da (s) cadeira (s) vaga (s), através de jornal local diário. (Modelo de edital: anexo I)

Art. 8º - O candidato a ocupar uma cadeira vaga na Academia deverá inscrever-se mediante o pagamento da taxa de inscrição, preenchimento de requerimento e ficha de inscrição, endereçadas ao presidente da instituição, aos quais anexará currículo, com comprovação de sua atividade literária, e 2 (dois) exemplares da (s) obra (s) publicada (s). (Modelo de requerimento: anexo II / Modelo de ficha de inscrição: anexo III).

§ 1º - Poderão exercer o direito de voto todos os acadêmicos titulares quites com suas obrigações financeiras com a instituição até a data da eleição.

§ 2º - Em caso de empate, assume o candidato mais idoso.

DOS ACADÊMICOS
Art. 10 - Compete a todos os membros da Academia: cumprir e fazer cumprir as normas estabelecidas pelo Estatuto e por este Regimento Interno.

Art. 11 - O membro fundador da AFL que, por qualquer motivo, queira afastar-se da Academia, terá direito ao título de membro honorário ou correspondente, se houver mudado de domicílio, perdendo, no entanto, o direito ao uso da cadeira e menção de seu patrono, salvo para registro histórico, expressa claramente essa condição.

Art. 12 - Os títulos de membros correspondentes e membros honorários da Academia Fortalezense de Letras não acarretarão nenhum ônus para os beneficiários, que poderão usar o emblema da Academia e o respectivo título em suas publicações, além de poderem assistir, sem direito a voto, às reuniões ordinárias e solenes da Academia.

Art. 13 - A AFL mandará confeccionar diplomas de membro correspondente e membro honorário, os quais serão entregues aos beneficiários em sessão da Academia, ou enviados pela ECT.

Art. 14 - A declaração de membro correspondente ou honorário será feita pela diretoria da AFL, acatando indicações dos acadêmicos titulares, que deverão estar devidamente fundamentadas, justificando a indicação.

§ 1º - A diretoria terá o prazo de 30 (trinta) dias, para manifestar-se sobre o mérito da indicação, aceitado-a ou rejeitando-a.

§ 2º - Se rejeitada a indicação, novo pedido poderá ser feito à diretoria da Academia, após 1 (um) ano da primeira indicação.

§ 3º - O número de membros honorários não poderá ultrapassar o de membros titulares.

Art. 15 - O acadêmico que cometer atos inadequados, que prejudiquem o bom nome da Academia, terá seu comportamento levado ao conhecimento da Assembleia, que estabelecerá sanções, de simples advertência à perda da cadeira, dependendo da gravidade do ato.

Art. 16 - Todos os acadêmicos, ao lançarem novas obras, poderão usar o selo editorial Fortalezense de Letras e deverão doar 02 (dois) exemplares ao acervo da Academia.

Art. 17 – O empréstimo de livros se fará unicamente a acadêmicos, excluídas as raridades bibliográficas e obras de consulta frequente, e constará de registro assinado pelo acadêmico e pelo responsável pela entrega.

Parágrafo único: Não sendo restituído o livro no prazo máximo de 1 (um) mês, a diretoria solicitará a sua devolução ou substituição.

Art. 18 - Fica estipulada a cobrança de mensalidade, cujo valor será determinado pela diretoria da AFL, podendo ser reajustado quando necessário, pelos índices inflacionários.

Parágrafo único: São isentos de contribuições mensais os membros honorários e os membros correspondentes. O acadêmico com mais de 80 anos, por sua vontade e decisão, optará por pagar ou não a contribuição mensal.

DO PROCEDIMENTO PARA APROVAÇÃO DE ALTERAÇÕES DO ESTATUTO
Art. 19 – Alterações no Estatuto da Academia poderão ser propostas e analisadas pela Diretoria, e serão aprovadas em Assembleia Geral convocada para esse fim, respeitando-se o seguinte encaminhamento:

I – a diretoria deverá solicitar aos acadêmicos titulares propostas de alteração, com 2 (dois) meses de antecedência, estabelecendo prazo para o envio das mesmas;

II – realizar-se-á uma reunião da administração da Academia para análise e discussão das propostas apresentadas;

III – o presidente, juntamente com o secretário geral, enviará, por jornal, carta ou e-mail, convocação para a Assembleia e texto aprovado pela diretoria aos acadêmicos titulares, com 8 (oito) dias de antecedência;

IV - na Assembleia, antes da votação, os acadêmicos ainda poderão opinar sobre as alterações propostas.

V - a votação será feita em aberto.

DAS SOLENIDADES
Art. 20 – As solenidades de posse da administração, posse de novos membros e premiação de concursos literários poderão seguir os modelos anexos (posse da administração: anexo IV / posse de novos membros: anexo V / premiação de concursos literários: anexo VI) ou serem alteradas conforme decisão da diretoria vigente.

DISPOSIÇÕES FINAIS
Art. 21 - Cabe à diretoria resolver os casos omissos no presente Regimento ou no Estatuto da Academia.

Art. 22 - Este Regimento Interno, aprovado em Assembleia, entra em vigor na data de sua publicação, revogadas as disposições em contrário.

O presente regimento foi aprovado, por unanimidade, em AGE, realizada em 16.06.2010, pela maioria absoluta dos acadêmicos.

João Soares Neto,
Presidentre

ANEXO I
Edital para preenchimento de cadeiras vagas

ACADEMIA FORTALEZENSE DE LETRAS

EDITAL nº. ___ /_____

A Diretoria da Academia Fortalezense de Letras torna público que está aberto o processo para o preenchimento das seguintes cadeiras vagas:

Cadeira nº. __ . Patrono: ______________ . Fundador: ____________________ .

Cadeira nº. __ . Patrono: ______________ . Fundador: ____________________ .

Os interessados em ingressar ao quadro de membros efetivos, deverão se enquadrar nas disposições instituídas pelos artigos 6º. e 7º do Estatuto, à disposição no blog academiafortalezensedeletras.blogspot e na secretaria da AFL. Os candidatos deverão preencher requerimento e ficha de inscrição, com vistas a uma das cadeiras vagas, acompanhados de curriculum vitae e dois exemplares das obras publicadas. A documentação deverá ser entregue na sede da AFL, Rua do Rosário, 01, Centro, Fortaleza, Ceará, , até às 14 horas do dia ___ de _____ do corrente ano.

Fortaleza, ___ de _____ de _________ .

___________________________
Presidente

ANEXO II
Modelo de requerimento


REQUERIMENTO

Fortaleza, _____ de _____ de _______.

Ao __________________________________


Presidente da Academia Fortalezense de Letras- AFL

Senhor (a) Presidente (a),
Eu, ______________________________________________, tomando conhecimento do Edital datado de ____ de ____ último, que noticia a existência de vagas para a Academia Fortalezense de Letras, venho apresentar o registro de minha candidatura para o preenchimento de vaga existente.

Declaro ter conhecimento e aceitar todas as disposições instituídas pelo Estatuto Social e Regimento Interno da Academia Fortalezense de Letras, e comprometo-me, através deste, a cumpri-las fielmente.

Nestes termos, espero deferimento.

Atenciosamente,
____________________________________
assinatura

ANEXO III
Modelo de ficha de inscrição

FICHA DE INSCRIÇÃO

CADEIRA Nº. ________ PATRONO: _______________________________________

NOME: ______________________________________________________________

FILIAÇÃO: ___________________________________________________________

DATA DE NASCIMENTO: _______________________________________________

NASCIDO EM: _____________________________________________ UF _______

ESTADO CIVIL: ________________ CÔNJUGE: ____________________________

PROFISSÃO: ________________________________________________________

ENDEREÇO: ________________________________________________________

_________________________________ CEP: _____________________________

FONES: ___________________ (RES.) / __________________ (COM.) / __________________ (CEL.)

E-mail (obrigatório): ____________________________________________________


TRABALHOS PUBLICADOS COM SUA DATA DE PUBLICAÇÃO:
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DIGA POR QUE GOSTARIA DE FAZER PARTE DA ACADEMIA FORTALEZNSE DE LETRAS _____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________


OBS: UTILIZE FOLHAS ADICIONAIS SE FOR NECESSÁRIO. ANEXAR CURRICULUM